23 de mai de 2017

JBS - Uma história marcada a sangue não só de animais




Quando a justiça falha o crime avança

FRAUDES    -    TRABALHO ESCRAVO    -    MORTES    -    LESÕES    -     MUTILAÇÕES  SUPEREXPLORAÇÃO DO TRABALHO    -    PROPINAS    –    CARTEL E MUITO MAIS

Assim eles se tornaram multimilionários

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS investigados pela Polícia Federal por falcatruas, aceitaram a delação para acusar os seus  parceiros e foram favorecidos com a liberdade! Após largarem uma bomba sobre Brasília, que atingiu em cheio o presidente da república, os ex presidentes, outro ex candidato a presidente, governadores e uma legião de políticos, eles foram beneficiados com o perdão da justiça para seguirem na sua caminhada de crimes. Veja a seguir o cenário que compõem a história dessa mega empresa, que se tornou a maior do mundo no âmbito da agropecuária comprando favores de políticos, explorando e formando carteis.



Joesley e Wesley Batista proprietários do grupo JBS


Os números de amputações, doenças e, inclusive, mortes nas fábricas da JBS, os transtornos psicológicos como depressão e traumas ocasionados também pelo assédio moral e perseguição aos seus trabalhadores estão presentes no cotidiano das empresas geridas pela J&F. Em 16 de janeiro de 2015, Andreia Pires de Oliveira, trabalhadora da JBS de Osasco em SP, foi demitida por justa causa numa clara perseguição política por estar passando um abaixo-assinado contra as condições degradantes de trabalho, apesar de ter estabilidade no emprego garantida por lei até setembro por ser cipista.

Existem depoimentos que contam histórias horríveis de pessoas que foram mutiladas, trituradas e tragadas pelas máquinas por falta de segurança adequada. Basta um rápida pesquisa no Google para encontrar depoimentos de funcionários de empresas da JBS.  Saturnino, por exemplo teve a parte inferior do corpo praticamente rasgada ao meio. Mortes, mutilações, doenças crônicas, poderiam ser evitadas se houvesse o cumprimento das leis trabalhistas, mas a filosofia dos empresários, segundo se constata pelos depoimentos e manchetes, é sobrecarregar e despedir por justa causa para não pagar os direitos trabalhistas.

Entre as muitas irregularidades praticadas pela JBS estão o não comprometimento com as leis trabalhistas, entre elas: O não cumprimento da pausa em ambientes frios de 20 minutos a cada 1H40; o desrespeito à existência de locais adequados para o intervalo de recuperação térmica dos trabalhadores expostos à temperaturas extremamente frias para o corpo humano (entre 5o C e -15o C);  O ritmo de trabalho é excessivo e exorbitante na indústria da carne, obrigando os trabalhadores a realizarem uma média de 80 a 120 movimentos por minuto numa desossa de frango, por exemplo, considerando que a legislação permite até 35 movimentos por minuto; excesso de jornada de trabalho (há registros de denúncias que dão conta de jornadas de até 12 horas seguidas); o descumprimento de normas de saúde e segurança dos trabalhadores; o fornecimento de refeição com carne contaminada servida aos trabalhadores; o não pagamento de adicional insalubridade; assédio moral; desrespeito a medidas básicas de monitoramento e segurança em relação ao reservatório para refrigeração por gás amônia, submetendo seus trabalhadores a constantes  riscos de acidentes de trabalho.


Saturnino Vogado

Sofrimento em carne e osso

Era o dia 12 de novembro de 2002, Saturnino Vogado tinha 24 anos. Estava no final do expediente, por volta de 15 horas e 45 minutos. Ele havia começado a trabalhar às seis da manhã. A máquina não devia estar ligada; mas estava e começou a puxar. “Levou a minha perna e o meu corpo para o meio das ferragens. Gritei para o meu amigo Jeferson, mas ele estava mais nervoso que eu, paralisado. Os supervisores não estavam acompanhando o nosso trabalho. Nós não sabíamos como fazer aquilo parar. Fraturou meu fêmur, esmagou o joelho, quase me partiu ao meio…”





JBS Friboi: Quando o dinheiro público financia a dor nos frigoríficos


Verônica Benitez tem 41 anos; Casimiro Bordon Ibanez, 55 e Elton Ferreira da Silva, 26 são funcionários da JBS Friboi em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Em comum, além da convivência com a dor, alavancada pelas lesões por esforço repetitivo, um desejo enorme de justiça.

AS MANCHETES EM VÁRIOS ESTADOS AO LONGO DOS ANOS CONTAM A HISTÓRIA


Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná em Londrina ajuizou ação contra a JBS por irregularidades em seu frigorífico de Rolândia e pede indenização de R$ 73,4 milhões por danos morais coletivos. O MPT afirma que a companhia desrespeitou as jornadas de trabalho, intervalos e descansos semanais e ofereceu ambiente inadequado aos funcionários, com ruído excessivo, máquinas e equipamentos que oferecem risco à saúde e à segurança.




Foram resgatados 12 funcionários que viviam em um alojamento em Forquilhinha e eram contratados pelo Frigorífico JBS para apanhar aves. De acordo com o MPT, os trabalhadores estavam em situação análoga de escravos. No alojamento de uma mina desativada, viviam homens, mulheres e crianças sem a mínima dignidade humana, além de serem submetidos a jornadas exaustivas.


A ação contra o frigorífico foi movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de Criciúma, em Santa Catarina.








CUIABÁ - A empresa frigorífica JBS, dona das marcas Friboi e Seara, terá de pagar uma multa de R$ 350 mil  por irregularidades na jornada de trabalho dos empregados da planta localizada no município de Confresa, a 738km de Cuiabá. O valor da multa, prevista em caso de descumprimento do Termo de Ajusta de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT

MANAUS - JBS comprou gado da família do maior desmatador da AmazôniaA JBS Friboi, maior processadora de carne bovina do mundo, adquiriu centenas de cabeças de gado de Cirineide Bianchi Castanha, mãe de Ezequiel Antônio Castanha, preso pela Polícia Federal sob acusação de ser “o maior desmatador da Amazônia de todos os tempos”.


O dono da marca Friboi, foi condenado a pagar R$ 9 milhões e indenizações por dano moral por vários direitos trabalhistas, normas de segurança e expor à contaminação os empregados do frigorífico, na unidade de Jurema, MT, a 740 Km de Cuiabá. A condenação ocorreu em três ações ajuizados pelo Ministério Público do Trabalho, que foram julgados pela juíza Mônica  do Rego Barros Cardoso, na Vara de Trabalho de Juína, MT.

Rondônia - A JBS-Friboi, maior matadouro de animais do mundo, é condenada novamente por trabalho escravo - Não bastassem os rios de sangue que a empresa fundada por José Batista provoca, ela ainda é uma das campeãs brasileiras no quesito trabalho escravo. Desta vez, a unidade de Vilhena (RO) foi condenada a pagar R$ 3 milhões em indenizações aos seus colaboradores. O Ministério Público do Trabalho (MPT) já havia condenado a unidade de Barra do Garças (MT) a pagar R$ 1 milhão por sonegar direitos básicos aos seus funcionários, em setembro deste ano.


Ao todo, 3.110 acidentes da JBS de 2011 a 2014 (39%) ocorreram na Amazônia Legal. O grupo mantém unidades também no Acre, no Maranhão, no Pará e em Rondônia. Foram registrados em média 2 acidentes por dia.

MPF denuncia JBS e fiscais agropecuários por fraude em SIF em 2005 Após 11 anos de investigação, o Ministério Público Federal no Mato Grosso (MPF-MT) denunciou a JBS por utilizar selo de autorização federal para exportação de sua unidade de Andradina, no interior de São Paulo, para tentar exportar à Rússia 25 toneladas de carne bovina produzidas na unidade de Araputanga (MT), que não tinha essa autorização.



Com mãozinha do BNDES, herdeiros da JBS se tornam bilionários



Até 2028, grupo deixará de pagar quase R$ 1 bilhão em ICMS no Estado



Formação de Cartel
Em 2005, José Batista Junior, então presidente da Friboi, foi convocado para depor junto à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados a respeito de gravações que sinalizavam eventual participação em um esquema de cartel no mercado brasileiro de carnes.
Outros problemas surgiram, com os casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, que fizeram mais de 50 países proibirem as importações total ou parcialmente.

Comissão Parlamentar - Inquérito
O grupo JBS é acusado de monopolizar o mercado de carne, em razão de seu poder sobre a economia no setor. Segundo reportagem veiculada no Valor Econômico em 18 de fevereiro de 2015, a crítica vem da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) que ressalta que a JBS quer eliminar a concorrência ditando as regras. A expansão da empresa se deu em razão das suas aquisições financiadas pelo grupo BNDES. Mais de R$ 8 bilhões de dinheiro público foi investido no grupo nos últimos anos, o que estimulou o monopólio, situação que prejudica as demais empresas do setor. Em contrapartida, a JBS aumentou as doações feitas para campanha políticas. Conforme reportagem do UOL, veiculada em 28 de janeiro de 2015, a JBS doou a políticos o equivalente a 18,5% do dinheiro que tomou emprestado do BNDES entre 2005 e 2014.


A Operação Ararath, que investiga crimes financeiros no Mato Grosso da Polícia Federal ajudou a desvendar o maior rede de corrupção e lavagem de dinheiro da história mundial, a Panama Papers. Na 9 fase da Operação Ararath descobriu que Wesley Batista, presidente do grupo JBS, consta como administrador/procurador da Global Participações Empresariais, que está no epicentro do escândalo mundial. 


Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, eles participaram de uma
sequência fraudulenta de operações financeiras e empréstimos bancários.
Conhecida como "troca de chumbo", a operação consiste em transações triangulares
entre duas instituições diferentes e integrantes de diferentes grupos para emitir crédito a empresas que fazem parte desses mesmos grupos. A transação envolveu 80 milhões. Entre os réus estão Wesley e Joesley Batista e João Heraldo dos Santos do Banco Rural.

Trabalhador morre triturado em acidente de trabalho na empresa JBS em São Gonçalo dos Campos

Os trabalhadores são submetidos a temperaturas de 20, 30, 40, ultrapassando a 50 graus negativos. O tratamento dado aos trabalhadores da câmara fria, bem como aos companheiros das antecâmaras, é desumano.
As doenças, em virtude das péssimas condições de trabalho, são constantes.

Os trabalhadores almoçavam sem as mínimas condições de higiene, expostos a insetos de um lixão vizinho. Depoimentos e fotos comprovaram que a empresa chegou a servir comida estragada e que até uma mosca-varejeira havia sido encontrada em uma das marmitas.

Apesar  das inúmeras e repetidas condenações na Justiça do Trabalho e centenas  de denúncias de empregos precarizados, a JBS foi homenageada pelo Tribunal Superior do Trabalho, pelo Ministro Ives Gandra Martins Filho, recebendo a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho.

Nenhum comentário: